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Em 1961, Robert Heinlein publicou a primeira versão do que viria a ser sua obra-prima: Stranger in a Strange Land (em português, surpreendentemente, manteve-se o título Um Estranho em Uma Terra Estranha). Apesar dessa primeira edição ter sido severamente cortada pelos editores, que pediam um livro mais curto e que fossem tiradas algumas cenas que podiam chocar os leitores, foi essa versão de 1961 que, no ano seguinte, rendeu a Heinlein o Prêmio Hugo de ficção científica. Somente após a morte do autor, em 1988, sua esposa conseguiu que a versão original fosse publicada na íntegra, em 1991.
A história é uma crítica ferrenha à humanidade. Valentine Michael Smith é um ser humano nascido em Marte, filho de dois astronautas, depois de uma fracassada missão ao planeta vermelho. Lá ele é criado por marcianos, uma espécie tão diferente de nós que conceitos básicos como filosofia, religião, mentira e mesmo sexo não existem.
Michael é trazido para a Terra por uma segunda expedição e, a partir daí, começa a “aprender” como viver entre os seres humanos. As primeiras três partes do livro trazem a vida de Michael ao conhecer conceitos como dinheiro, propriedade, cidadania, governo, entre outros. O resultado é um olhar ingênuo sobre todas as estruturas que regem nossa sociedade atual.
Ao final da terceira parte, o Homem de Marte entra em contato com algumas religiões e com o conceito de Deus, começando uma crítica inacreditável de tão dura e sincera às diversas religiões e à necessidade humana de se entregar à fé cega.
E ao mesmo tempo em que entende as diversas igrejas e suas manifestações divinas, Michael também conhece o sexo e os prazeres possíveis entre homens e mulheres. Aí, o autor deita e rola na forma de olhar a questão da sexualidade e o falso puritanismo de muitos povos.
Escrito no início do movimento hippie, fica fácil entender, como essa a crítica à sociedade, às religiões e ao sexo, fez de livro um sucesso tão estrondoso. A repercussão do livro foi tão grande que fez com que, por exemplo, o verbo “grokar” (no marciano, o mesmo que entender, compreender profundamente, unir-se) fosse acrescentado ao dicionário Oxford da Língua Inglesa.
No fim das contas, a história de Valentina Michael Smith, o Homem de Marte, é exatamente o que se espera de uma boa ficção científica. Um olhar diferente, inusitado e sincero sobre o futuro da humanidade. Imperdível.
Zahn, a Volta de Thrawn e o fim de uma Era

E se o maior gênio militar da galáxia, dado como morto há dez anos, reaparecesse no meio da pior crise política que a Nova República já enfrentou? E se sua volta trouxesse indícios de um poder imperial desconhecido, capaz de acabar com a ordem e a liberdade? Esta é apenas a ponta do Iceberg em Visions of the Past e Specter of the Future, de Timothy Zahn.
Qualquer fã de Star Wars já deve ter feito a seguinte pergunta: quem era a tripulação da primeira Estrela da Morte, comandada pelo frio e calculista Grand Moff Tarkin. Mais ainda, quem era Tarkin? Como era a cabeça do único oficial do império que ousava olhar Darth Vader de igual para igual? Star Wars - Death Star conta exatamente essa história. Com mais algumas surpresas. Leia o post inteiro »
O ciclo de Muad’Dib se fecha em Os Filhos de Duna

Após os eventos em O Messias de Duna, O império Atreides conquistado por Paul Muad’Dib parece ter driblado as dificuldades e continua seu domínio através da regente Alia e dos filhos de Paul e Chani, Leto e Ghanima. Mas dez anos depois, em Os Filhos de Duna, o império de Muad’Dib começa a ruir de dentro pra fora.
Duna: a genialidade persiste em The Machine Crusade
Passados dez anos do início da guerra contra as máquinas iniciada em The Butlerian Jihad, o segundo livro da trilogia conta a acensão e queda de alguns heróis e vilões e mostra uma humanidade cansada de uma guerra que parece não ter fim. A especiaria começa a ser usada por nobres. Vorian Atreides e Xavier Harkonen selam uma grande amizade. Mas, fazer qualquer outra menção ao conteúdo do livro é arriscar a estragar surpresas enormes. Leia o post inteiro »
Os Robôs de Amanhecer: Asimov em perfeita forma
Um bizarro caso de roboticídio leva o detetive Elijah Baley para o espaço com seu parceiro-robô R. Daneel Olivaw. O principal suspeito tinha motivo, meios e oportunidade para cometer o crime. So há um porém: Baley precisa provar que o homem é inocente. Afinal, tratando-se de política interplanetária e a colonização da galáxia há mais em jogo do que simplesmente justiça. Leia o post inteiro »
O túnel no céu do mestre Heinlein
Num tempo em que a colonização de novos mundos é a única maneira de encontrar lugar e alimentos para uma população crescente, Sobrevivência Avançada é parte do currículo escolar. Rod Walker e seus colegas do colegial se prepararam para uma prova de dez dias em ‘qualquer planeta, qualquer clima, qualquer terreno’. Mas quando o portal não se abre no prazo combinado, os meninos precisam decidir se unem-se contra um mundo desconhecido ou morrem cada um por si. Leia o post inteiro »
Neuromancer
Em 1984 a ficção científica teve seu rumo brutalmente alterado por um livro. Através dele, entramos em contato com um universo não tão improvável, em um futuro bem próximo - onde viagens aos confins do universo dão lugar a termos como cyberspace e matrix, megalópoles cobrem áreas enormes e os heróis são sujeitos vestidos de preto e óculos escuros, não tão confiáveis nem tão perfeitos assim, vivendo num submundo sujo e escuro. Este é o universo de Neuromancer, de William Gibson.

No universo de Gibson, o submundo é regido por transações de dados criminosas, genética ilegal e drogas. Case, o protagonista, é um viciado terminal, um hacker decadente - chamado no livro de cowboy cyberespacial, que teve seus dias de glória e fama suficientes para entrar num esquema internacional que só é revelado ao longo do livro. Mas nada de mocinhos: Case é o anti-herói clássico, num ambiente estranho. Tem seus interesses e quer salvar a própria pele.
Gibson foi o primeiro a usar o termo cyberspace para se referir à rede, às vezes chamada de The Matrix. O livro gerou um movimento tão grande na ficção científica que um termo foi designado para o seu estilo: cyberpunk. Ele não só foi o pioneiro, como é até hoje considerado o melhor livro do gênero. Mais do que um exercício de futurologia, Neuromancer mostra quão genial um autor pode ser, antecipando-se ao seu tempo de uma forma como poucos conseguiram. O autor ainda consegue rechear o livro com citações orientais: Samurais pós-modernos se enfrentam em Chiba City, onde é possível comprar shurikens afiados em lojas de esquina.
Neuromancer é leitura obrigatória para todo fã da trilogia Matrix, de onde os irmãos Wachowsky claramente se inspiraram para criar muito do que vemos no filme. O livro está disponível em português pela editora Aleph.
2010 - O Filme Mutilou o Livro
Em 1982, Arthur Clarke lançou a continuação do seu, talvez mais famoso livro, 2001: Uma Odisséia no Espaço. O resultado, chamado de 2010: Uma Odisséia no Espaço II foi igualmente brilhante. Em alguns pontos, 2010 é ainda mais genial que a primeira obra. Leia o post inteiro »
Idoru: Para entender o universo de William Gibson
Idoru, escrito em 1996, por William Gibson, talvez seja um bom livro como porta de entrada para o universo desse autor que, poucos sabem, inspirou os irmãos Wachowsky na concepção da trilogia Matrix. Apesar de seu livro mais famoso ser Neuromancer, é em Idoru que Gibson chega mais próximo da linguagem de um leitor que ainda não se acostumou com sua obra.
Imagine ter que descrever as cenas dos filmes Matrix, com letras e símbolos traduzindo realidades, pessoas voando de um lado para o outro, acontecimentos simultâneos em um mundo real e um virtual. E pior, descrever tudo isso apenas com palavras. É o que William Gibson faz. E com perfeição.
O livro, como todos de sua autoria, narra uma história que se passa em um futuro próximo, onde as pessoas passam parte de suas vidas conectadas a uma rede de realidade virtual (daí a inspiração para Matrix). Mas ao contrário dos filmes da trilogia, os vilões não são os computadores, mas sim grandes corporações que tomam conta do dia-a-dia das pessoas.
E Idoru, também como os outros livros do autor, traz sempre uma inteligência artificial semi-consciente, começando a se formar. Mais uma inspiração para Matrix. Mas o que faz desse livro tão especial? William Gibson economiza um pouco nos jargões tecno-futuristas, muitas vezes indecifráveis para muitos leitores.
A história se alterna entre duas narrações. De uma lado uma garota atrás de uma explicação para o suposto casamento de um astro do rock com uma mulher virtual (o Idoru) e, de outro lado, um funcionário de uma mega-corporação com um poder único: navegar com dados virtuais como se fossem cenários e paisagens reais. As duas tramas se cruzam no fim do livro de forma brilhante, fechando a trama sem deixar nenhum mistério pendente.
Enfim, para quem quiser conhecer o trabalho de William Gibson, Idoru é um bom começo.
