Arquivo para a categoria ‘William Gibson’
Neuromancer
Em 1984 a ficção científica teve seu rumo brutalmente alterado por um livro. Através dele, entramos em contato com um universo não tão improvável, em um futuro bem próximo - onde viagens aos confins do universo dão lugar a termos como cyberspace e matrix, megalópoles cobrem áreas enormes e os heróis são sujeitos vestidos de preto e óculos escuros, não tão confiáveis nem tão perfeitos assim, vivendo num submundo sujo e escuro. Este é o universo de Neuromancer, de William Gibson.

No universo de Gibson, o submundo é regido por transações de dados criminosas, genética ilegal e drogas. Case, o protagonista, é um viciado terminal, um hacker decadente - chamado no livro de cowboy cyberespacial, que teve seus dias de glória e fama suficientes para entrar num esquema internacional que só é revelado ao longo do livro. Mas nada de mocinhos: Case é o anti-herói clássico, num ambiente estranho. Tem seus interesses e quer salvar a própria pele.
Gibson foi o primeiro a usar o termo cyberspace para se referir à rede, às vezes chamada de The Matrix. O livro gerou um movimento tão grande na ficção científica que um termo foi designado para o seu estilo: cyberpunk. Ele não só foi o pioneiro, como é até hoje considerado o melhor livro do gênero. Mais do que um exercício de futurologia, Neuromancer mostra quão genial um autor pode ser, antecipando-se ao seu tempo de uma forma como poucos conseguiram. O autor ainda consegue rechear o livro com citações orientais: Samurais pós-modernos se enfrentam em Chiba City, onde é possível comprar shurikens afiados em lojas de esquina.
Neuromancer é leitura obrigatória para todo fã da trilogia Matrix, de onde os irmãos Wachowsky claramente se inspiraram para criar muito do que vemos no filme. O livro está disponível em português pela editora Aleph.
Idoru: Para entender o universo de William Gibson
Idoru, escrito em 1996, por William Gibson, talvez seja um bom livro como porta de entrada para o universo desse autor que, poucos sabem, inspirou os irmãos Wachowsky na concepção da trilogia Matrix. Apesar de seu livro mais famoso ser Neuromancer, é em Idoru que Gibson chega mais próximo da linguagem de um leitor que ainda não se acostumou com sua obra.
Imagine ter que descrever as cenas dos filmes Matrix, com letras e símbolos traduzindo realidades, pessoas voando de um lado para o outro, acontecimentos simultâneos em um mundo real e um virtual. E pior, descrever tudo isso apenas com palavras. É o que William Gibson faz. E com perfeição.
O livro, como todos de sua autoria, narra uma história que se passa em um futuro próximo, onde as pessoas passam parte de suas vidas conectadas a uma rede de realidade virtual (daí a inspiração para Matrix). Mas ao contrário dos filmes da trilogia, os vilões não são os computadores, mas sim grandes corporações que tomam conta do dia-a-dia das pessoas.
E Idoru, também como os outros livros do autor, traz sempre uma inteligência artificial semi-consciente, começando a se formar. Mais uma inspiração para Matrix. Mas o que faz desse livro tão especial? William Gibson economiza um pouco nos jargões tecno-futuristas, muitas vezes indecifráveis para muitos leitores.
A história se alterna entre duas narrações. De uma lado uma garota atrás de uma explicação para o suposto casamento de um astro do rock com uma mulher virtual (o Idoru) e, de outro lado, um funcionário de uma mega-corporação com um poder único: navegar com dados virtuais como se fossem cenários e paisagens reais. As duas tramas se cruzam no fim do livro de forma brilhante, fechando a trama sem deixar nenhum mistério pendente.
Enfim, para quem quiser conhecer o trabalho de William Gibson, Idoru é um bom começo.
