Distrito 9: Velho, novo, diferente e obrigatório

Por Rodrigo Cáfaro     Em 30/12/2009

district9_feature

A campanha de marketing viral devia significar o de sempre: mais um blockbuster dos grandes estúdios com roupagem de Sci-fi destinado a arrecadar toneladas de dinheiro à custa de efeitos especiais, ação e leves traços de enredo.

Mas no caso de Distrito 9 (District 9), a realidade é bem diferente. É um filme obrigatório e memorável, um clássico instantâneo do Sci-Fi com lugar bem merecido entre gigantes como Blade Runner, Alien e Matrix. Não entenda com isto que Distrito 9 se parece a qualquer um desses filmes de maneira específica. Embora contenha elementos clássicos do gênero, a maneira mais precisa de descrever o filme é como uma mistura de A Mosca com A Lista de Schindler, com um terceiro ato à la Exterminador do Futuro. Ou seja, não assista com seu sobrinho pensando se tratar de mais um ‘Transformers‘.

Surpreendentemente, Distrito 9 se deu muito bem nos cinemas. Apesar de seu baixo orçamento e atores desconhecidos (o protagonista Sharlto Copley sequer era ator profissional), o filme faturou mais de US$ 200 milhões em todo o mundo.
O DVD e Blu-Ray do filme foram lançados em 22/12/2009 nos EUA - uma ótima oportunidade de ver (ou rever) esta pérola.

district9_posterNa trama, uma nave alienígena chega inesperadamente a Johanesburgo em 1982 e fica ali, aparentemente avariada. Por fim, são encontrados nela cerca de um milhão de humanóides com características de artrópodes em situações precárias. Os ‘camarões’, como ficam logo conhecidos, recebem asilo na terra e são confinados ao Distrito 9, um campo de refugiados exclusivo para eles com condições mínimas de saneamento. Os ‘camarões’ não parecem se importar. De fato, seu gosto por comer lixo só aumenta a repugnância dos humanos. Em Agosto de 2010, a corporação MNU é contratada para realocar o 1,8 milhão de extraterrestres para um novo campo afastado da cidade, o Distrito 10.
Wikus van de Merwe, um bobalhão de escritório, é genro de um executivo da MNU e acaba ficando encarregado da operação. O primeiro ato do filme acompanha a ação de Wikus no Distrito, notificando os extraterrestres de seu despejo e explorando o estilo de vida dos alienígenas. É então que algo dá errado - Wikus acaba se expondo a uma substância contaminante e passa mal, muito mal. Isso desperta o interesse da MNU, que vê uma oportunidade de estudar a tecnologia dos extraterrestres e incorporá-la à sua linha militar.  Sem apoio de sua própria empresa, resta a Wikus buscar ajuda no último lugar que poderia encontrá-la - no Distrito 9.

Por trás do enredo pouco pretensioso, vemos a competente execução do diretor Neill Blomkamp, que optou por contar a história em tom de documentário. Distrito 9 provoca uma tempestade de emoções ao longo do filme. Repugnância, ódio, empatia, entusiasmo. Tudo é intencional - a forma encontrada pelo diretor de nos fazer questionar valores e preconceitos. Blomkamp apresenta de forma inteligente cada façcão na trama e conduz o espectador por uma inversão total de ponto de vista. Por fim, o diretor mostra pelas ações de cada um o que humanos e alienígenas realmente são.
E, como essa descoberta feita no filme explica tanta coisa em nosso mundo real, a experiência é alarmante e assustadora. E por isso mesmo, obrigatória.



Ainda não há comentários para este post. Seja o primeiro a comentar!

Faça um comentário



  •