O túnel no céu do mestre Heinlein

Por Rodrigo Cáfaro     Em 22/06/2009

Num tempo em que a colonização de novos mundos é a única maneira de encontrar lugar e alimentos para uma população crescente, Sobrevivência Avançada é parte do currículo escolar. Rod Walker e seus colegas do colegial se prepararam para uma prova de dez dias em ‘qualquer planeta, qualquer clima, qualquer terreno’. Mas quando o portal não se abre no prazo combinado, os meninos precisam decidir se unem-se contra um mundo desconhecido ou morrem cada um por si.

heinlein_tunnel_sky_cover1Esta é a trama de Um Túnel no Céu (Tunnel in the Sky, 1955), do Grã-mestre da fiçcão científica Robert A. Heinlein, autor de Tropas Estelares (Starship Troopers) e Um Estranho numa Terra Estranha (Stranger in a strange land), disponível em português ela editora portuguesa Europa-América.

Um Túnel no Céu descreve um futuro plausível, em que o teletransporte é o principal meio de colonização extra-planetária (os portais são os túneis no céu do título). Mas os portais são abertos apenas por pouco tempo; as colônias ficam isoladas até que produzam riqueza suficiente para compensar o gasto de energia e o portal seja reaberto. Nesses ambientes hostis e remotos, pás são mais versáteis que escavadeiras - há menos peças para quebrar e menos peso a carregar. Essa visão pragmática da economia da colonização ajuda a entender e apreciar melhor outros universos Sci-Fi com grandes contrastes tecnológicos, como Firefly.

Apesar de ser uma obra escrita para o público juvenil, é possível entender por que Heinlein foi considerado um dos ‘três grandes’ de Sci-Fi, junto a Asimov e Clarke. A linguagem é simples e de estilo direto, e deve agradar a todas as idades. Apesar da fama controversa de Heinlein se dar principalmente a uma análise incompleta de sua obra, é fácil observar a razão da fama. Os protagonistas não passam de adolescentes, mas usam armas para sobreviver, e casam-se por amor ou por motivos praticidade, a estrutura familiar e religiosa é ousada.

O tema principal no livro não é o de uma sociedade tecnologicamente avançada - a maior parte da história é no estilo Robinson Crusoé/Náufrago - mas sim a análise de como indivíduos precisam se organizar para adaptar-se a novas realidades, como as necessidades pessoais se contrapõem às do grupo e, num plano mais pessoal, como a jornada de amadurecimento por que passam os protagonistas não é entendida, ou mesmo tolerada, por aqueles que não viveram essas realidades. Dessa forma Heinlein metaforiza a adolescência, uma época perdida entre a infância e a idade adulta.

Ninguém, afinal, quer ver crianças como homens - especialmente se forem mais sábios e experientes que nós.

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2 Comentários
  1. costa Disse:

    Lembro-me de ler este livro quando era miúdo.
    Foi um dos livros que na altura mais me marcou. O tempo tratou de estraviar a minha cópia que era igual à que está na imagem. Gostaria de voltar a arranjar este livro e relê-lo, para ver se mantém o encanto de há 15 anos.

    Postado em 22/06/2009 às 5:47 pm

  2. rcafaro Disse:

    Costa,
    Apesar de tê-lo lido já adulto, o livro me cativou… acredito que se o lesse novamente gostaria do mesmo jeito! Procure em lojas de livros usados (’sebos’), ou mesmo pela internet e pode ser que encontre uma cópia. Se você ler inglês, será fácil encontrá-lo, já que o livro continua em catálogo nos Estados Unidos

    Postado em 22/06/2009 às 12:50 pm

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