Neuromancer

Por Francisco Cerqueira Jr.     Em 14/06/2009

Em 1984 a ficção científica teve seu rumo brutalmente alterado por um livro. Através dele, entramos em contato com um universo não tão improvável, em um futuro bem próximo - onde viagens aos confins do universo dão lugar a termos como cyberspace e matrix, megalópoles cobrem áreas enormes e os heróis são sujeitos vestidos de preto e óculos escuros, não tão confiáveis nem tão perfeitos assim, vivendo num submundo sujo e escuro. Este é o universo de Neuromancer, de William Gibson.

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No universo de Gibson, o submundo é regido por transações de dados criminosas, genética ilegal e drogas. Case, o protagonista, é um viciado terminal, um hacker decadente - chamado no livro de cowboy cyberespacial, que teve seus dias de glória e fama suficientes para entrar num esquema internacional que só é revelado ao longo do livro. Mas nada de mocinhos: Case é o anti-herói clássico, num ambiente estranho. Tem seus interesses e quer salvar a própria pele.

Gibson foi o primeiro a usar o termo cyberspace para se referir à rede, às vezes chamada de The Matrix. O livro gerou um movimento tão grande na ficção científica que um termo foi designado para o seu estilo: cyberpunk. Ele não só foi o pioneiro, como é até hoje considerado o melhor livro do gênero. Mais do que um exercício de futurologia, Neuromancer mostra quão genial um autor pode ser, antecipando-se ao seu tempo de uma forma como poucos conseguiram. O autor ainda consegue rechear o livro com citações orientais: Samurais pós-modernos se enfrentam em Chiba City, onde é possível comprar shurikens afiados em lojas de esquina.

 

Neuromancer é leitura obrigatória para todo fã da trilogia Matrix, de onde os irmãos Wachowsky claramente se inspiraram para criar muito do que vemos no filme. O livro está disponível em português pela editora Aleph.



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