Idoru: Para entender o universo de William Gibson

Por Ricardo Setti     Em 27/05/2009

Idoru, escrito em 1996, por William Gibson, talvez seja um bom livro como porta de entrada para o universo desse autor que, poucos sabem, inspirou os irmãos Wachowsky na concepção da trilogia Matrix. Apesar de seu livro mais famoso ser Neuromancer, é em Idoru que Gibson chega mais próximo da linguagem de um leitor que ainda não se acostumou com sua obra.

Imagine ter que descrever as cenas dos filmes Matrix, com letras e símbolos traduzindo realidades, pessoas voando de um lado para o outro, acontecimentos simultâneos em um mundo real e um virtual. E pior, descrever tudo isso apenas com palavras. É o que William Gibson faz. E com perfeição.

O livro, como todos de sua autoria, narra uma história que se passa em um futuro próximo, onde as pessoas passam parte de suas vidas conectadas a uma rede de realidade virtual (daí a inspiração para Matrix). Mas ao contrário dos filmes da trilogia, os vilões não são os computadores, mas sim grandes corporações que tomam conta do dia-a-dia das pessoas.

E Idoru, também como os outros livros do autor, traz sempre uma inteligência artificial semi-consciente, começando a se formar. Mais uma inspiração para Matrix. Mas o que faz desse livro tão especial? William Gibson economiza um pouco nos jargões tecno-futuristas, muitas vezes indecifráveis para muitos leitores.

A história se alterna entre duas narrações. De uma lado uma garota atrás de uma explicação para o suposto casamento de um astro do rock com uma  mulher virtual (o Idoru) e, de outro lado, um funcionário de uma mega-corporação com um poder único: navegar com dados virtuais como se fossem cenários e paisagens reais. As duas tramas se cruzam no fim do livro de forma brilhante, fechando a trama sem deixar nenhum mistério pendente.

Enfim, para quem quiser conhecer o trabalho de William Gibson, Idoru é um bom começo.



Ainda não há comentários para este post. Seja o primeiro a comentar!

Faça um comentário



  •